Village Underground Lisboa: 6 Anos celebrados em formato broadcast

May 8, 2020

6 horas de música, dança, teatro e street art, numa emissão onde não falta a dica para fazer o cocktail e o snack mais apropriado para cada momento.

Village Underground Lisboa: 6 Anos celebrados em formato broadcast
Fotografia: Facebook Village Underground Lisboa

No dia 9 de Abril o Village Underground celebrou 6 anos de vida. A festa seria como tem vindo a ser hábito, no mês seguinte, a 9 de Maio, aproveitando já o tempo mais propício para festas outdoor. Este ano, contudo na impossibilidade de o fazer nesse formato que inclui milhares de pessoas que passam pela Vila dos contentores ao longo de 18 horas de festa, onde reinam beijos e abraços, vemo-nos forçados a marcar a data noutro formato.

No Sábado dia 9 de Maio vamos pedir ao público que fique em casa, que vista roupa confortável, que calce os seus melhores sapatos de dança, que encontre um lugar com espaço na casa e a melhor forma de assistir a um broadcast, que teste e confirme o som das colunas e prepare-se para disfrutar de 7 horas de uma performance artística, no canal Youtube do VU.
Ao longo de 6 horas haverá música, dança, teatro e street art, numa emissão onde não falta a dica para fazer o cocktail e o snack mais apropriado para cada momento, retratando ao máximo aquilo que é o espirito Village Underground.

O broadcast #6AnosVillageUnderground mantém a intenção de sempre do espaço, o de ser uma mostra de talentos em várias áreas performativas. Benjamim, Nelassassin, Roundhouse Kick, Studio Bros, Satelite b2b Danykas, Gustavo, Felix daCat e Anestetic DJ são os nomes que espelham a variedade e qualidade de música. Da “pop analógica” do escritor de canções Benjamim à festa dos ritmos africanos-electrónicos de Studio Bros, passando pelo afro-house do casal Satelite e Danykas, à soul e hip hop de Nelassassin até ao porto de abrigo do 4 por 4 de Gustavo e Felix daCat, à magia dos sintetizadores da dupla algarvia Roundhouse Kick e ao psy trance de Anestetic DJ. O artista- residente Pedro Coquenão, que tem criado e desenvolvido trabalho artístico na área da música, rádio, dança, artes visuais e plásticas sob o nome de Batida e que há 3 anos instalou o seu contentor-azul e candongueiro na nossa Vila, ascendendo assim ao estatuto de Vilão, não podia deixar de fazer a festa partilhando conosco um momento a que chama Batida apresenta: Fake Staff.

A festa do teatro faz-se com autores da nova geração como é o caso de João Telmo e Martim Pedroso e a sua Nova Companhia, com a co-criação de Joana Cotrim, Ana Sampaio e Maia, Rita Morais e David Pereira Bastos para a peça As Três Irmãs, com uma performance a partir de “Onde não puderes amar, não te demores” de Daniel Gorjão com o actor João Villas-Boas e ainda com “Em Principio Os Princípios” de Pedro Saavedra com Mia Tomé e Miguel Ponte.

Na dança brilha o colectivo Orchidaceae, no street art Observ, nos cocktails a Constança do bar Toca da Raposa e na cozinha as mãos do chef residente Frederico Leitão.
Todos os artistas e as suas equipas concordaram em receber pelo seu trabalho através de doações que o público fará ao longo da transmissão. O VU e toda a equipa envolvida no projecto será paga da mesma forma. A partilha de receitas das doações será feita 50% / 50% entre artistas e VU.

Esta transmissão faz parte da estratégia que o Village Underground adoptou desde que fechou portas a 13 de Março e que foi partilhada no facebook através de uma Nota, com o seguinte texto:

Este momento único que vivemos e que, numa esperançosa e positiva ignorância, todos prevíamos que fosse breve, levou-nos a despertar para uma nova realidade. Uma realidade que num futuro próximo não nos deixa estar perto uns dos outros. Uma realidade que nos afasta do caminho que percorríamos. Uma realidade que, segundo as melhores perspectivas, pode durar 6 meses. Há que assumi-lo.

Actualmente é uma restrição imposta, por ordens das autoridades de saúde pública, mas sabemos nós, que num futuro próximo, será também por falta de confiança ou mesmo medo de voltarmos a estar demasiado perto, demasiado cedo.

Infelizmente o sector onde o VU opera – cultural e turismo - está muito exposto, não só à situação local, mas também mundial, onde se prevê uma perda significativa na procura. Uma atividade que vive de pessoas e para pessoas, que procura juntar, está completamente fora da sua zona de conforto. Mas a verdade é que andar de costas voltadas para a zona de conforto, foi sempre o estímulo que nos fez avançar.

Por isso acreditamos que está na hora de abraçar este novo paradigma, apostando na CRIAÇÃO e desenvolvimento de conteúdos próprios, num momento que consideramos fulcral de apoio à cultura mas também a um despertar humano e espiritual. Procuramos de uma forma independente, empoderar e capacitar a nossa comunidade criativa, tendo sempre a sustentabilidade financeira como objectivo. Repensámos o nosso modelo de negócio, percebemos por onde podíamos ir e visualizámos um novo mundo, virgem, por descobrir.

O processo da criação tem várias fases e, bem antes desta nova triste moda, o isolamento e distância física foram sempre uma etapa propícia à incubação e fecundação de ideias. Os muitos avanços que estavam em pausa e guardados na distância ao fundo de gavetas mentais ou físicas, podem e devem ser incentivados a ser feitos AGORA.

Durante esta fase, há uma maior procura e necessidade de conteúdos que nos inspirem, que nos direcionem a perspectiva e a esperança para uma normalidade e familiaridade ao fundo do túnel. O Village Underground quer encontrar a melhor forma de capitalizar e ajudar no desenvolvimento e divulgação destes conteúdos, criando uma plataforma de apoio à criação, produção e transmissão dos mesmos.

Temos bons recursos e a estrutura ideal para o fazer: o espaço físico, a produção técnica e o know- how e experiência em comunicação e marketing. O nosso espaço permite receber os performers, respeitando todas as recomendações da OMS, restringindo ao mínimo o contacto entre técnicos, artistas e outros elementos que tenham de estar presentes. De um lado a sala para técnicos de monitores e mistura de vídeo, noutro contentor o estúdio para mistura e masterização do aúdio e, noutra área à parte, o contentor com a sala de broadcasting.

É certo, podem separar-nos, mas será difícil ficarmos menos unidos.

Queremos montar uma estrutura democrática e integradora onde os artistas possam capitalizar as suas criações. A estratégia para distribuição destes conteúdos prevê vários níveis de interação com o público, transmitindo-os em diferentes plataformas. Numa forma mais simples de visualização apelaremos e incentivaremos as doações e, em exibições mais complexas e de maior qualidade – HD – será cobrado um valor adequado. O modelo a aplicar é a partilha por igual das receitas, entre artistas e Village.

Vamos gerar riqueza para todos, de acordo com os resultados alcançados e o trabalho, esforço e dedicação de cada um. Sabemos que a interação física e social é o que faz a magia de qualquer encontro e que isso agora não é permitido. Mas encontrar amigos online a assistir ao mesmo broadcast, comentar e interagir na mesma experiência online passa a ser requisito essencial à sanidade de todos nós.

Esta é a nossa forma de vos abraçar e de vos pedir um abraço de volta. Pusemos a cabeça a mexer e foi esta a forma que encontrámos de continuarmos todos a soltar a anca, sorrisos e paixões. Não há danças agarrados, não há beijos, não há suores partilhados, não há pele com pele, não há abraços nem amassos, mas há amor aos pedaços. Há um coração comum a todos nós que continua cá. E enquanto bater assim, será imbatível.

Mais um salto para o vazio onde reina a incerteza. Mas não pode ser mais incerto e difícil do que quando quisemos empilhar contentores e autocarros em Lisboa.

Saltem conosco. Sábado 9 de Maio #6AnosVillageUnderground

Mais informação: https://www.vulisboa.com/

By: Village Underground Lisboa